Quinta-feira, Outubro 29, 2009

a última lição

quando um professor abre o livro de ponto pronto a sumariar a lição e pergunta à turma quem falta nesse dia, não há expectativa no ouvir de um número de 1 a 25. quando nos dias anteriores, o número 2 faltou sucessivamente, concerteza é porque esteve doente. da garganta talvez, das amígdalas

(que bom, vai-se fartar de comer gelados)

o arrepio obrigou-me a fechar os olhos enojada com a fotografia que reconhecia no jornal esquálido que o meu colega tinha na mão.

não pode ser, helder. o puto anda aí a brincar com os colegas. voces estão enganados.

e os meus olhos esbugalhados revolviam os meninos a brincar no recreio. trespassavam-nos. o andré devia andar lá para trás da escola velha e obsoleta. se não estava aqui é porque tinha ido ao quarto de banho.


não percebi o que me disseram à primeira.
o andré era o típico aluno que não se enquadrava na idade cronológica que tinha. inteligentíssimo. sempre com perguntas que me demoravam uns segundos a arquitectar a resposta. olhos grandes castanhos desafiadores, desprotegidos. muito pequenino para a idade, adorava dançar e só aí esticava os cantos da boca até parecer um sorriso. nunca se ria quando os outros meninos se riam. nunca se ria se alguém caía ou fazia um disparate. nunca gozava os colegas. o mais atento. quantas vezes tive de inventar respostas impossiveis. tão inverosímeis para os adultos; tão normais para as crianças

professora, o que é a cultura de um povo?

andré, não me lembro da tua voz. lembro-me da tua expressão fechada a por as minhas respostas a fazerem sentido na tua cabeça. quantas vezes te desiludi? quando vi que tinhas faltado ontem, juro-te, pensei que tivesses ido ao médico.

perdoa tu à tua mãe, andré. se ela sobreviver e ficar cá connosco, nós falamos com ela, mas, se ela for para a tua beira faz por desculpá-la e dá-lhe um beijinho. parece que te estou a ver a perguntar-me

"porquê"

ANDRÉ

e depois de uns segundos arrastados acho que te explicaria qualquer coisa sobre a pressa que a tua mãe tinha de estar só contigo, os dois juntos, num sítio bonito em que ela não sofresse

"porquê?"

ANDRÉ

porque tu cresces muito rápido e és muito inteligente e ela não queria que tu soubesses que ela chorava muito à noite

"porquê"

ANDRÉ

não sei, andré, se calhar foi a forma que ela teve de te dizer que te amava muito
(expressão fechada)


os meninos hoje cantaram-te uma música, aquela que também estavas a aprender. Longe do Mundo. irónico, não é? esquece

ANDRÉ

depois explico. hasteram a bandeira de portugal para ti e fizeram um minuto de silêncio, mas tu não queres nada disso. nem entendes por que fariam tal coisa. queres é ver os vídeos do andré rieu e dos stomp e eu juro-te que vi aquela cultura a entrar-te, em ondas, pelos teus olhos de sol adentro.



1'58/home abraçada

vertical pasmado

o combóio sempre foi um bom meio de transporte para actualizar leituras: não se enjoa como num automóvel e o tempo decorrido entre a departure e os arrivals é sempre suficiente para dar bom avanço à letargia literária imposta pela falta de tempo ou vontade. uma viagem de três horas foi o suficiente para me aperceber deste burburinho blogueiro sobre a possível abolição dos pontos de exclamação(!).

inês pedrosa levou o assunto ao extremo sexual, advogando a permanência de tal sinalética pois, qual melhor ponto gráfico para exprimir um orgasmo?

depois de dias passados sem o editor dar noticias sobre os manuscritos d' Os Miseráveis, Vitor Hugo enviou-lhe uma carta com a seguinte mensagem:



?



ao que passado pouco tempo, obteve a seguinte resposta:



!




1'16/home/andré, tenho uma vela branca a arder por ti.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

porque

De vez em quando, desapareço. não é a primeira vez nem concerteza será a última. sinto, no entanto, que voltar é sempre catártico. acho que "falámos" sobre isso aqui: volver. Eis o que tenho andado a fazer:

Noa


e porquê este nome: é o nome que poria um dia que tivesse uma filha. um filho não é uma extensão, de nada nem de ninguém. é um ser uno, individual e singular. não tem de vir, ao nascer, com qualquer tipo de estigma, de karma. começar do início, porque é mesmo o que quer dizer: nascer. surgir com toda a sua individualidade e elevar-se.


"... por cima de ti, só os aviões!"


20'17/Miramar

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

conversas com deus sobre ti

à minha avó


calhou de O
encontrar, vovó. e ele perguntou-me logo por ti. estranha forma de vida a tua, deixou ele escapar,inconformado enquanto coçava a barbicha.
escrevi-te, há uns anos atrás, ainda eram palavras de criança que me saíam pela boca fora, que Deus se inspirava em ti, todos os dias da sua vida para recriar a sua obra. lembras-te? terá sido tudo isto por vontade de deus? não te disse antes mas chateei-me com ele. deitou-te numa cama de tristeza e aconchegou-te com cobertores de dor aos quais resististe estoicamente durante toda a tua vida. no fundo, acho que ele não fez por mal: não sabia mais. como as pessoas que te rodeiam não te percebem. com que voz choras tu teu triste fado? elas não sabem mais, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem. "a melhor forma de cuidar de um pássaro não é segurar-lhe as asas" mia couto, tem aspecto de provébio africano.
ainda hoje ele não te sabe explicar. como não sabe explicar amália. equiparo-te a amália, desde sempre. desde a fisionomia que recordo a preto e branco, riso triste de lábios finos. quem vê teu rosto não vê teu coração que cabe na palma da mão. as almas giram à tua volta e nem tu controlas o teu poder. deixas-te entontecer com a luz que emanas e é ela que te alimenta, de outra forma, ninguém aguentaria. e ainda que te continuem a amputar os teus membros, nem assim calam o teu tom de voz magoado, a gargalhada estridente que deus te pôs no peito e soltas num espaço sem fim, a cantar. que faremos sem ti? que andorinha nos guiará neste fado? és o exemplo do discípulo que suplantou o mestre. deus não te sabe explicar, vovó. disse-me ele como pôs estrelas no céu, como se desfia um rosário de penas.

- ama lia ama

ainda sentes o cheiro das rosas em enfermaria lúgubre? falei-lhe nisso quando o encontrei. disse-me que enviara um anjo para te responder. nunca mais faças perguntas daquelas, vovó. coitado, embaraçaste deus. tens um séquito de anjos que te aguardam de cabeça baixa e asas altivas prontas a te levarem quando te apetecer morrer. deus não te sabe explicar. e saiu correndo com as mãos nos olhos a chorar.



1'36/na minha cidade

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

o belo em olhos de lágrima

na minha cidade

ela:

gostava até de matar-me. só para ver a tua cara, ver a expressão da tua beleza traduzida na verdade de me perderes para sempre. ofereces a tua beleza à humanidade e ela bate numa espécie de muro e cai, rendida. terás tu a visão de um mundo melhor? esse esplendor que possuis é para satisfação pessoal? esse deslumbre que trazes no coração dos teus olhos, perfeito, oferecê-lo-ás ao teu próximo? ou é, para sempre, teu? oferece-mo a mim! deslumbra-me a mim! sou o teu próximo. sou eu a seguir. estou aqui à tua frente. por que não me vês tu? é com silêncio que me falas. esse silêncio que marca a diferença no mundo. deixa-me chorar agora, porque morta não posso chorar.


ele:

não tenho visão do mundo. o mundo é o que se me oferece à frente, nada mais. ouvi falar noutros mundos, em brasis, em áfricas e em timores. não sei como se vai para lá, mas todos os dias caminho por aquelas bandas. "menina, quanto é o café? só tenho uma nota de 20 eur. deixe estar eu pago-lhe o café, não vai gastar agora uma nota por um café. (...) mas faz anos? eu, não!" mato cães com uma flor no lugar do coração. tenho dois cisnes no lugar dos olhos e todas as noites ouço o seu choro final. é esta a minha humanidade. o excerto preferido de Régio que digo de cor(ação):

a minha glória é esta
criar desumanidade
não acompanhar ninguém
que eu vivo com o mesmo sem-vontade
com que rasguei o ventre a minha mãe

não sei que fazer com esta humanidade. não sei que fazer com esta força de te amar.


0.24/cama de princesa

Sábado, Agosto 01, 2009

em absoluto

o vazio e o frio. deixar os dias roçarem ao de leve na minha pele sem permitir que eles entrem em mim. duros e intransigentes. inexoráveis, passam por mim e não me influenciam em nada.como um marco de correio numa praça movimentada. como se estivesse morta. eis-me. prostrada, incólume, indiferente. não tenho espírito dentro. ninguém entre, ninguém sai. não é tristeza nem saudade. tu sabes o que é? conheces isto? recordo jean- baptiste enroscado em posição fetal na mais funda gruta da montanha. de ceretza que foi isto que ele (não) sentiu. mas a ele ainda chegou um ténue perfume, nada deste ausência absoluta. este nada. este branco hospitalar. este glaciar, este gelo que me entorpece e paralisa. esta letargia. o vácuo do nada. o nado-morto em que me tornei. a minha alma esvaiu-se num sopro. foi puxada por um aspirador de almas e anda por aí algures. se a reconheceres, por favor, mas por favor, ouviste, pede-lhe para me procurar porque eu já não consigo sair daqui. pede-lhe desculpa por mim, diz-lhe que foi um erro e que nunca a quis magoar. diz-lhe que tenho imensas saudades dela e quero que tudo volte ao antes, ao que éramos: as duas. sem ti, ok? aliás, quando a vires, nem a olhes de frente, baixa-lhe o rosto que ela nem merece que lhe dirijas a palavra. ela é minha e quero-a de volta. só a tenho a ela e isso sei-o agora, depois de te ter escolhido a ti. erro. erro total! sou nada. sou uma sem-razão. sou uma amulher. nem não-mulher, nem mulher mas uma amulher, a ausência total de essência feminina. nada que me distinga dos bichinhos. não, esses ainda são alguma coisa. sou uma planta: é isso mesmo: vou escolher a planta que sou. a primeira que me vem ao pensamento é a planta-carnívora :-) mas essa é grotesca. é alguma coisa, portanto não dá para mim. estás a ver aquelas borboletas presas por alfinetes em veludo preto penduradas nas paredes? é assim que eu me sinto: dissecada por dentro, esventrada no meu âmago, escarrapachada numa parede que alguém repara enquanto sobe a escada para o andar de cima. e esta vontade ed ter o teu corpo nú atirado num sofá a pedir-me sexo com todas as letras

hoje estou para sexo, nada de fazer amor

e eu a sentir a minha alma a querer sair-me de dentro, revoltada comigo. e eu, fraca, coitada de mim, como me apetecia na altura. como me apetece agora. nunca mais te quero ver à frente. desaparece-me da frente! nunca mais me busines quando me vires na rua. ignora-me, por favor. és hediondo e enojo-me só de me lembrar que já me alimentei de ti. borboleta tonta. tão bonita e tão frágil. a que raio de flor fui eu parar que ainda a beleza morta da jarra de água me entontece e faz desmaiar até me apetece dizer asneiras. não me reconheço! vai procurar a minha alma. deves-me isso. vou-me lavar por dentro para a receber.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

a entrevista

a imagem era de conde. visconde! o topo da cabeça luzidio e moreno bem delineado. um bom acordo entre pele e couro cabeludo. a cabeça inundada por um lago dourado de pele e a margem, um risco de cabelo a delimitar a "água". alto mas elegante. gravata apertada oportunamente. sentou-se na cadeira com metade do corpo de fora, ligeiramente inclinado para melhor caber na moldura da fotografia. as pernas cruzadas muito apertadas e descaídas para o lado com os joelhos quase a roçarem o chão, lembravam um gay assumido recentemente. no primeiro contacto visual sorriu, estrategicamente. não obteve resposta e não se importou. o telemóvel zumbiu e a voz soou flauta de pã

- não, meretíssimo, tem de ser em dinheiro todos os meses. vivo, dinheiro vivo ou vale postal, não aceito de outra maneira.

de repente, o ar tornou-se dificil de puxar para dentro. entrava rápido e saía em baforadas qual toiro irado. telemóvel, de novo.

- se aqui não der em nada, volto para a alemanha

no meu post-it anexo "diz que se aqui não der, ele volta para a alemanha". a porta abre-se e inunda-lhe o rosto com a luz de esperança do sol e sai o candidato anterior.

- sr. losquinhos? boa tarde, tiago barbosa, como está? vamos então conversar um bocadinho?

saiu da mesma maneira que entrou: dono de uma frota marítima e da maior petrolífera do oriente e com o sorriso mecânico das altas patentes, despediu-se a caminhar e soltou para os meus olhos um

- sucesso!

lembrei-me imediatamente da despedida francesa de 15 dias a viajar pela europa. voei por instantes e fiquei com um sorriso aparvalhado estampado na cara, a olhar para a porta do elevador que descia incólume, levando o sr. losquinhos

- este? este último? horrível. era para ter imensos problemas. nem pensar.

por muitas voltas que a vida dê, a humildade e algum desprendimento têm sempre de existir. fico a pensar se o sr. losquinhos pertencia a um patamar superior onde nós não coubéssemos ou se o sr. losquinhos não aceitava caber no mundo do trabalho "normal" e recomeçar, por baixo.

como se dirá "sucesso" em alemão




15.40/av. republica

Terça-feira, Julho 14, 2009

post mortem

SURGIU INESPERADO, PERDIDO NOS OLHARES E NAS SIMPATIAS QUE O PUXAVAM PARA JUNTO DE QUEM LHE DESSE A PRIMEIRA FESTA. O TUMOR redondo como uma bola de ténis QUE TRAZIA PENDURADO NO ESTÔMAGO REPELIA A SEGUNDA FESTA MAS ACONCHEGAVA O CORAÇÃO DE QUEM O VIA. AFEIÇOEI-ME IMEDIATAMENTE E TROUXE-O PARA CASA. DE TODOS OS LADOS AS OPINIÕES ERAM CONTRADITÓRIAS. QUE NÃO DEVIA FAZER ISSO. PORQUE NÃO. TROUXE-O PARA CASA E PASSOU A NOITE COMIGO. COMPLETAMENTE DESCANSADO, DEITADO NO COBERTOR QUE LHE DISPUS NA DESPENSA DO TERRAÇO, ACORDOU CONFORME SE DEITOU: CALMO E FELIZ. SEM SURPRESAS. O FOCINHO COBERTO DE PELOS BRANCOS DENUNCIAVA A IDADE E A FRAQUEZA DAS PATAS TRASEIRAS.

 TENS CARA DE SR. ONOFRE

DEIXEI-O SOZINHO PARA IR DAR AULAS. MAS COM QUE APERTO NO CORAÇÃO O FIZ. A VULNERABILIDADE COM QUE ME LAMBIA AS COSTAS DA MÃO ENTERNECIA-ME E ROUBAVA-ME A FORÇA DOS BRAÇOS. O OLHAR VIVO CASTANHO VIBRANTE PRENDEU-ME IMEDIATMENTE. AMEI-O LOGO. DEI-LHE DA ÁGUA MAIS FRESCA E TIREI AO MALAQUIAS AS BOLINHAS DE RAÇÃO QUE NÃO SABEM A NADA. FICOU-ME AGRADECIDO PARA SEMPRE. METI-O NO CARRO COM DIFICULDADE POR NÃO SE SEGURAR NAS PATAS. LEVEI-O À SOCIEDADE PROTECTORA DOS ANIMAIS NAS ANTAS. A SENHORA GORDA QUE ME RECEBEU FOI DE UMA SECURA DESCONCERTANTE

MAS QUEM É QUE PÔS ESTA MULHER AQUI?!

E VIM-ME EMBORA COM O SR. ONOFRE SEM ME DESPEDIR. CANIL MUNICIPAL. O LUGAR QUE NÃO OUSAVA PENSAR SEQUER NA PALAVRA. O CORAÇÃO QUE GIRA NOS TRILHOS DA RAZÃO.

 SR. ONOFRE, POR FAVOR, NÃO PARES AGORA

O CÃO RECUSAVA-SE A ENTRAR NO EDFICIO. O CÃO PAROU LITERALMENTE. SENTOU-SE. DEITOU-SE. QUASE QUE O ESTRANGULAVA A TENTAR PUXÁ-LO. ENTREI NA RECEPÇÃO COM AS LÁGRIMAS A CAÍREM-ME PELA CARA ABAIXO, O QUEIXO A TREMER.
TUDO LIMPO E LAVADO. 14 CÃES ACOLHERAM O SR. ONOFRE COM LATIDOS E CHOROS DE SOLIDARIEDADE.A FUNCIONÁRIA INDICOU-ME A CASERNA QUE O ACOLHERIA NOS 8 DIAS SEGUINTES.

 É SEU O CÃO?

A RESPOSTA QUE ME IMPEDIU DE ACOMPANHAR O SR. ONOFRE NA PRIMEIRA DAS INJECÇÕES QUE O LEVARIA DA NOSSA VIDA.
A ESTA HORA O SR. ONOFRE JÁ MORREU. PERGUNTO-ME EM QUE PENSARIA ELE. CONCERTEZA O VETERINÁRIO QUE O DEITOU NA MARQUESA TERIA A MESMA DELICADEZA DO QUE EU QUANDO O RECOLHI DA RUA.

 QUE BOM ALGUÉM QUE AINDA GOSTA DE MIM


PERGUNTO-ME SE TINHA O DIREITO DE O MANDAR MATAR. NINGUÉM ME PEDIU NADA. NEM ELE SE QUEIXOU. NEM ME CONHECIA DE LADO NENHUM. NÃO ME ERA NADA. NÃO ME PERTENCIA. PERTENCEU A ALGUÉM DE CERTEZA, EM TEMPOS. ALGUÉM QUE O ATIROU PELA JANELA FORA, A ELE, À VELHICE, AO TUMOR. CAIU-ME NOS BRAÇOS E EU MAIS NÃO FIZ QUE O ATIRAR TAMBÉM. SOU FEITA DA MESMA MASSA. NÃO FIQUEI MELHOR PESSOA. PREFERIA NÃO TER FEITO NADA, OLHAR PARA OUTRO LADO, COMO FAZ TANTA GENTE QUE CONHEÇO. O SR. ONOFRE NÃO MORREU POR MINHA CAUSA, MAS FUI EU QUE O APRESENTEI à morte.

NÃO ACREDITO QUE HOJE ME AGRADECESSE.