
Noa actuou no NB Viseu e falou da sua carreira
"Tocar violino é um
gesto de bondade"
Violinista, professora,
directora de uma
associação de
solidariedade. Eis o retrato
de Noa, artista que actuou
no NB Viseu e que antes
de ser violinista começou
por ser bailarina
PAULO RIBEIRO
Diário de Viseu (DV) - Como
começou o seu percurso musical?
Noa (N) - A minha formação
artística não começou com o
violino. Aos 6 anos entrei para
o Ballet Clássico pela Royal
Academy of Dancing, numa
academia em Vila Nova de
Gaia. Só mais tarde, aos 10 anos,
os meus pais me propuseram
entrar para um instrumento e
foi aí que decidi enveredar pelo
violino. No fundo, foi uma
sequência de acontecimentos e
de contextos que me fizeram
apaixonar pela cena do palco.
Mais tarde, meti na cabeça que
queria aprender a tocar jazz e
blues e tive a sorte de apanhar o
melhor dos melhores em
improvisação em Portugal. Fui
para a Escola de Jazz do Porto
sob a mestria de Alberto Jorge
(uma lenda viva) que, recentemente,
contratei para ter aulas
particulares. Não acredito que a
aprendizagem de um instrumento
seja ditada pelo fim de
um curso académico e só
sendo assim é que continuo a
querer aprender sempre mais.
DV - Dos vários músicos que
conhece, qual aquele por quem
tem mais admiração? Porquê?
N - Sem dúvida que o facto
de tocar violino noutro tipo de
"ambiente" musical, completamente
diferente daquele a que
fui habituada em 15 anos, fazme
ter uma cultura musical
muito mais diversificada e
abrangente. No registo rítmico,
da percussão, em live act, gosto
particularmente do Manu
Idhra. Acho-o um músico
incansável e com um forte
sexto sentido para a música.
DV - Como vê a actualidade
do mercado musical?
N- Não sou uma pessoa derrotista.
Pelo contrário, o meu
optimismo não me permite
deixar abalar por qualquer contingência,
quer ela surja do interior,
quer surja do exterior.
Toda a conjuntura de crise obriga
a originalidade, a aparecerem
coisas novas. A crise gera
criatividade! É o lado positivo
da crise. Acho que o panorama
musical vai melhorar, não porque
o contexto exterior vá
melhorar, mas porque os artistas
portugueses vão "dar a volta
ao assunto" e surgirão produtos
cada vez melhores e mias originais.
DV - Para si tocar é...
N - Para mim tocar é falar.
Dar voz ao meu sentimento e
torná-lo audível através do violino.
DV - Prepara-se de algum
modo especial antes dos espectáculos?
N - Todos os dias quando
estudo, penso na forma como
irei apresentar a música. Toda a
actuação é pensada por mim
desde a roupa até às imagens
no vídeo. Procuro entrar em
contacto com os dj's e chegar a
um consenso antes da própria
actuação.
DV - Que projectos tem para
o futuro?
N- Como professora que sou,
o meu futuro passa por abrir
uma escola, não só de música
mas também com uma forte
vertente social. Sou uma das
directoras de uma associação
de apoio aos sem-abrigo na
cidade do Porto (FAS+) e por
isso me preocupa tanto desenvolver
o cariz social e humanitário
dentro de cada aluno
meu. De certa forma, a música,
tocar violino é um gesto de
bondade porque "faz bem" a
quem ouve.
29 janeiro 2010